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MENSAGEM NA GARRAFA À JUVENTUDE: o Brasil que sairá das urnas e o mundo que queremos construir

4 de out.
5 min de leitura

Ainda há tempo de refletir sobre a escolha presidencial que vai influenciar o lugar do país e o futuro da sua e das novas gerações


Lanço esta mensagem ao "mar" de bits dentro de uma "garrafa" digital na esperança de que chegue a tempo até você, jovem, que vai encarar a urna logo mais. Se você tiver saco de ler pelo menos o primeiro parágrafo, saiba que, neste domingo, 4 de outubro, o Brasil realiza o primeiro turno de uma eleição cujo alcance ultrapassa suas fronteiras e tem relação direta com o teu futuro. Sou um 50+ e posso te afirmar: o tal futuro chega rápido e cobra caro quando não aprendemos com o passado.


Ainda que você já não esteja mais aqui, hipotético/a leitor/a, vou adiante para argumentar que a escolha presidencial influenciará o lugar do país nas disputas internacionais, sua capacidade de enfrentar as desigualdades e as condições de a América Latina participar das decisões que definirão o destino o dos seus povos e nações.


Outras e outros jovens com sonhos ou em busca de perspectivas, como você, têm muito a ganhar ou a perder a partir deste domingo. Reflita e confirme sua escolha até 17h, sabendo do significado e das prováveis consequências da sua decisão.



Se você continuou a leitura até aqui, já satisfeito eu prossigo te desafiando a tentar compreender por que uma vitória de Lula merece ser defendida como oportunidade de consolidar um projeto que articule democracia, inclusão social e autonomia internacional. Primeiro, é preciso reconhecer que o equilíbrio de forças deve começar dentro de nossa própria casa, concorda?


Por favor, desconfie sempre do discurso fácil e de quem se vende como novidade ou antissistema. Novas embalagens costumam esconder velhas e discutíveis fórmulas. Não confunda autoridade e autoritarismo. A mãe de ninguém deve obediência a homem nenhum, seja seu pai ou padrasto.


Respeito significa reconhecer a presença e os direitos do outro, não importa gênero, raça, credo, classe social, idade ou supostas incapacidades. Isso é a base da tal democracia. Nunca duvide, portanto: não há alternativa fora da democracia, por mais chato e trabalhoso que possa ser participar.


Creia, ainda, que uma democracia perde substância quando o poder econômico ou político concentra a capacidade de influenciar decisões, enquanto milhões de pessoas permanecem distantes dos processos decisórios e dos direitos que a Constituição lhes assegura. Se acha que não está funcionando direito (e por vezes não está), então, bora participar da construção de alternativas


Reduzir desigualdades significa distribuir renda, mas também ampliar o acesso à educação, à saúde, à moradia, à cultura e à participação política. Significa dar poder de escolha a quem passou a vida administrando necessidades, como sua mãe, seu pai, você ou a funcionária doméstica da sua casa.


A vitória de Lula terá ainda mais importância se continuar transformando essa orientação em avanços duradouros. Transferências de renda são fundamentais, mas precisam caminhar com empregos de qualidade, produtividade, ciência, tecnologia e uma tributação mais justa.


O desafio é construir uma economia em que a prosperidade alcance mais pessoas e em que a origem social, gênero e raça deixem de determinar, com tanta força, o destino de cada pessoa.

No cenário internacional, o Brasil, ainda que seja uma nação mais jovem, assim como você, pode contribuir para um equilíbrio geopolítico que preserve espaço de decisão dos países situados fora dos grandes centros de poder. A aproximação com a Europa e a China deve ser compreendida nesse horizonte: liberdade para escolher amizades que não nos prejudiquem, ampliar alternativas, negociar interesses e construir capacidade própria.


A China é o principal parceiro comercial brasileiro desde 2009. A relação oferece uma base relevante para comércio, investimentos e cooperação, mas seu valor estratégico dependerá da capacidade de gerar tecnologia, produção e empregos no Brasil.


Com a União Europeia, o acordo assinado pelo Mercosul em janeiro de 2026 abre uma nova etapa de relações comerciais e de cooperação. Para o Brasil, essa aproximação precisa favorecer inovação, transição energética e acesso a mercados, com atenção às assimetrias entre as economias e à preservação dos instrumentos de desenvolvimento. Um acordo ganha legitimidade quando seus benefícios chegam à sociedade.


Europa e China têm interesses próprios, por vezes conflitantes. Uma diplomacia brasileira competente precisa compreender essas diferenças e negociar com ambas, mantendo também relações construtivas com os Estados Unidos. A soberania se fortalece quando o país diversifica parcerias e consegue sustentar suas decisões diante de pressões externas.


Essa autonomia ganha escala com a integração latino-americana. Infraestrutura compartilhada, cooperação científica, segurança energética e cadeias produtivas regionais podem ampliar a capacidade de negociação de nossos países. A liderança brasileira será mais consistente quanto mais conseguir construir convergências respeitando diferenças políticas e a soberania dos vizinhos.


Uma vitória de Lula deverá fortalecer a continuidade de uma política externa orientada ao multilateralismo e à integração regional. Mas o protagonismo internacional precisa ter sustentação doméstica.


Um país que deseja promover e influenciar o debate sobre desenvolvimento deve enfrentar suas próprias desigualdades; um país que defende a soberania precisa investir em conhecimento, indústria e instituições.


Acervo do Memorial dos Direitos Humanos em Santiago do Chile


A soberania se fortalece quando o país diversifica parcerias e consegue sustentar suas decisões diante de pressões externas. Essa autonomia ganha escala com a integração latino-americana.


Infraestrutura compartilhada, cooperação científica, segurança energética e cadeias produtivas regionais podem ampliar a capacidade de negociação de nossos países. A liderança brasileira será mais consistente quanto mais conseguir construir convergências respeitando diferenças políticas e a soberania dos vizinhos.


O futuro do Brasil exige essa conexão entre o cotidiano e a geopolítica. O salário, a escola pública, a pesquisa científica, a proteção da Amazônia, terras raras e a posição brasileira nas negociações internacionais fazem parte do mesmo projeto de país.

Defender a vitória de Lula é, nessa perspectiva, defender a possibilidade de um Brasil socialmente mais justo, democraticamente mais sólido e internacionalmente mais autônomo. Uma possibilidade que dependerá de escolhas, execução e cobrança pública. O voto abre o caminho. A responsabilidade de percorrê-lo começa hoje e é de todos/as nós.


Gostaria de ser menos prolixo e que você tivesse fôlego para chegar até aqui. Tudo isso para te dizer que ainda resta algum tempo para argumentar com amigos, refletir e fazer um escolha consciente até às 17h. Não está tudo ótimo. Certamente há muito o que melhorar. Mas não é hora de pagar para ver.


O momento exige capacidade de compreender a história, ajudar os mais velhos a desopilar o fígado, driblar as tentativas de manipulação, saber identificar as fake news e escolher com a lucidez e a razão devidas. Nossos/as filhos/as e netos/as irão agradecer logo ali na frente. O futuro, acredite, não tarda e nem permite que se volte atrás.

 
 
 

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